Com duas mortes e uma internação suspeita de intoxicação por metanol no Pernambuco, somando-se a 5 mortes e 22 internações em São Paulo, o Governo do Brasil divulga ações a ser adotadas para combate a adulteração de bebidas
Riselda Morais – São Paulo – Quem adulterou bebidas com metanol, assumiu o risco de matar. Como consequência da adulteração de bebidas, até à tarde desta quarta-feira, 1º de outubro, 5 pessoas morreram e 22 foram internadas com suspeita de intoxicação por metanol na bebida em São Paulo. Já no Pernambuco foram internados três homens com suspeita de intoxicação por metanol, dois deles morreram e o terceiro recebeu alta mas teve perda de visão bilateral.
As Vigilâncias Sanitárias do Estado e do Município de São Paulo em parceria com a Polícia Civil interditaram, até este momento, três bares suspeitos de ter servido bebidas adulteradas; o bar Torres no bairro da Mooca e o bar e restaurante Ministrão na esquina da Alameda Lorena com a Alameda Ministro Rocha Azevedo nos Jardins na capital paulista e um bar em São Bernardo do Campo.
Nos bares Torres e Ministrão, interditados na segunda-feira (29), foram apreendidas mais de 100 garrafas de bebidas sem rótulos e sem comprovação de procedência.
No bairro de Planalto Paulista, Zona Sul da capital, um mini-mercado foi interditado e 40 garrafas de whisky, Gim e Vodka foram apreendidas, o proprietário foi encaminhado para a delegacia. Uma distribuidora na região do M’Boi Mirim foi parcialmente interditada e vetada a comercialização de bebidas alcoólicas. Em Vila Mariana uma distribuidora foi interditada.
Na terça-feira (30), uma operação da Polícia Civil em parceria com o Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), cumpriram três mandados de busca e apreensão em Americana, entre os locais, uma chácara na Zona Rural usada para falsificar e envasar bebidas, na qual foram apreendidos mais de 17,7 mil produtos falsificados para produção de whisky, gim e vodka. Não foi encontrado metanol mas duas pessoas foram detidas.
Nesta quarta-feira (1), a Polícia Civil e a Vigilância Sanitária vistoriaram 4 estabelecimentos, sendo 2 na Bela Vista e 2 em Barueri. Para não prejudicar as investigações, os endereços não foram divulgados.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, determinou a abertura de inquérito para apurar a procedência da substância e a possível rede de distribuição que transcende os limites de São Paulo.
As bebidas adulteradas com metanol podem estar sendo vendidas em todo o Brasil, mas a Polícia Federal já está investigando a origem e a rede de distribuição das mesmas.
O metanol é um álcool altamente tóxico, utilizado em anticongelante, solvente, produção de plásticos, tintas, revestimentos e biodiesel mas quando ingerido pode causar cegueira, danos no cérebro e até a morte.
De acordo com orientações do Ministério da Saúde enviado para todos os estados brasileiros, “o caso é considerado suspeito quando o paciente, que ingeriu bebida alcoólica, apresenta a persistência ou piora de sintomas, como embriaguez persistente, desconforto gástrico e alteração visual, entre 12 horas e 24 horas após o consumo”. Nesse período, há um antídoto específico para os casos confirmados de intoxicação por metanol que é o “etanol produzido por laboratórios ou farmácias de manipulação, em grau de pureza adequado para uso médico. A administração, intravenosa ou oral, é sempre controlada”.
Ainda de acordo com o MS, o número de casos registrados entre agosto e setembro é atípico e acende o alerta para possível adulteração de bebidas alcoólicas, uma vez que o Brasil contabilizava cerca de 20 casos de intoxicação por metanol por ano.
As mortes estão sob investigação e as bebidas apreendidas foram encaminhadas para análise da Polícia Científica para a verificação da presença da substância tóxica.
Como identificar e proteger o estabelecimento de adquirir bebidas adulteradas com metanol.
Rafael Fraga, Chef e Supervisor de Gastronomia da Prática sugere 10 dicas para identificar bebidas adulteradas e proteger seu negócio.
1. Desconfie de preços muito baixos: produtos até 60% mais baratos que o mercado devem acender o alerta.
2. Compre de fornecedores confiáveis: opte por distribuidores e atacadistas reconhecidos.
3. Exija nota fiscal: garante rastreabilidade e comprova legalidade da compra.
4. Cheque embalagem e rótulo: erros de ortografia, lacres violados ou informações ausentes indicam risco.
5. Verifique o selo fiscal (IPI): obrigatório em destilados, deve estar intacto no gargalo da garrafa.
6. Analise o líquido: cor, odor e transparência devem ser uniformes; odores químicos ou partículas são suspeitos.
7. Confira o registro no MAPA: o número deve constar no rótulo e pode ser consultado online.
8. Treine sua equipe: garçons e bartenders devem checar lacres e nunca servir doses de recipientes sem rótulo.
9. Armazene corretamente: bebidas refrigeradas em temperatura adequada e vinhos protegidos da luz excessiva.
10. Seja transparente com o cliente: sirva sempre da garrafa original, à vista, reforçando credibilidade.
Como identificar e proteger-se de tomar bebida adulterada
1. Compre em pontos de vendas confiáveis
2. Observe se a embalagem está bem lacrada ou com sinais de violações
3. Observe a impressão do rótulo se está mal impresso, borrado, com erros de ortografia.
4. Desconfie de produtos muito baratos, com preços abaixo do valor de mercado
5. Observe se a cor está diferente do habitual
6. Verifique se o cheiro está estranho
7. Não tome drinks em locais que você não conhece.
8. Não compre e nem tome bebidas com procedência desconhecida ou sem rótulo.
Diante do risco sanitário coletivo, o Governo do Brasil divulgou orientações de combate à venda de bebidas adulteradas com metanol, com um conjunto de ações a serem adotadas por fornecedores, distribuidores, bares, restaurantes, organizadores de eventos e plataformas de comércio eletrônico para garantir a conformidade regulatória e a segurança dos consumidores.
Aquisição
1. Comprar exclusivamente de fornecedores idôneos, com CNPJ ativo;
2. Exigir e arquivar a Nota Fiscal eletrônica (NF-e) e conferir a chave de 44 dígitos no portal oficial;
3. Evitar ofertas com preço anormalmente baixo ou sem documentação fiscal;
4.Manter cadastro atualizado de fornecedores, incluindo CNPJ, endereço e contatos, para garantir rastreabilidade.
Recebimento
1. Adotar dupla checagem no recebimento: abertura das caixas na presença de duas pessoas, conferência de rótulos, lotes e notas fiscais;
2. Registrar data, quantidade, fornecedor, número e chave da NF-e;
3. Guardar recibos, comprovantes, imagens de Circuito Fechado de Televisão (CFTV) e planilhas para pronta cooperação com as autoridades.
Armazenamento
1. Identificar todos os colaboradores com acesso ao estoque;
2. Garantir condições adequadas de armazenamento e controle de acesso, para prevenir manipulações indevidas.
Sinais de adulteração
1.Observar indícios visuais como lacres tortos, rótulos com erros de ortografia, embalagens com defeitos, odor de solvente ou divergências de lote;
2. Em caso de suspeita, interromper imediatamente a venda, isolar o lote, preservar as evidências e notificar a Vigilância Sanitária, a Polícia Civil, os Procons e o Ministério da Agricultura e Pecuária.

