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5 mar 2026, qui

Intoxicação por metanol: São Paulo tem 6 mortes, 11 casos confirmados e 41 casos em investigação

Imagem ilustrativa

País já contabiliza 9 mortes e 58 casos de intoxicação por metanol em São Paulo e no Pernambuco

Riselda Morais – São Paulo – O foco da contaminação está em bebidas destiladas como Uísque, Gin e Vodka, mas qualquer bebida pode estar contaminada e o metanol não tem cheiro ou sabor facilmente identificados.
A intoxicação por metanol, incluindo casos de mortes e perdas de visão, foram identificados e confirmados até a manhã desta quinta-feira (02), nos estados de São Paulo e no Pernambuco mas pode ser que a bebida adulterada com metanol esteja sendo vendida e fazendo vítimas em todo o Brasil.
A capital paulista já contabiliza 6 mortes, 1 confirmada para intoxicação por metanol e 5 mortes está em investigação. Foram confirmados 11 casos de intoxicação, com laudo que atesta a presença de metanol e confirmação de circunstâncias que indicam que a pessoa ingeriu bebida adulterada, mas há também, 41 casos em investigação, com indícios clínicos, faltando ainda, entender as circunstâncias do consumo e o laudo comprobatório.
O estado do Pernambuco registrou 3 mortes, duas confirmadas para intoxicação por metanol e 1 está em investigação, além de uma pessoa com perda de visão pela intoxicação com metanol e outros 3 casos estão em investigação.
Seguindo os indícios da contaminação, a Polícia Civil, Vigilância Sanitária e Secretaria da Fazenda fecharam até agora, 6 bares na capital paulista e grande São Paulo, suspenderam 6 inscrição estadual de distribuidoras, fecharam uma fábrica de adulteração de bebida com mais de 17 mil produtos falsificados no interior de São Paulo.
Por meio do rastreamento de fornecedores, distribuidores e dos estabelecimentos envolvidos no fornecimento de bebidas adulteradas as autoridades realizaram interdições nos bairros Bela Vista, Itaim Bibi, Jardins, Mooca, Planalto Paulista, M’Boi Miriam, em São Bernardo do Campo, Barueri e Americana.
Os três primeiros bares suspeitos de ter servido bebidas adulteradas foram o bar Torres no bairro da Mooca, o bar e restaurante Ministrão na esquina da Alameda Lorena com a Alameda Ministro Rocha Azevedo nos Jardins e um bar em São Bernardo do Campo. Nos bares Torres e Ministrão, interditados na segunda-feira (29), foram apreendidas mais de 100 garrafas de bebidas sem rótulos e sem comprovação de procedência. No bairro de Planalto Paulista, Zona Sul da capital, um mini-mercado foi interditado e 40 garrafas de Uísque, Gim e Vodka foram apreendidas, o proprietário foi encaminhado para a delegacia.
Uma distribuidora na região do M’Boi Mirim foi parcialmente interditada e vetada a comercialização de bebidas alcoólicas.
Em Vila Mariana uma distribuidora foi interditada.
Na terça-feira (30), uma operação da Polícia Civil em parceria com o Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), cumpriram três mandados de busca e apreensão em Americana, entre os locais, uma chácara na Zona Rural usada para falsificar e envasar bebidas, na qual foram apreendidos mais de 17,7 mil produtos falsificados para produção de uísque, gim e vodka.
Não foi encontrado metanol entre os produtos em Americana mas duas pessoas foram detidas.
Nesta quarta-feira (1), a Polícia Civil e a Vigilância Sanitária vistoriaram 7 estabelecimentos na Bela Vista e em Barueri. Para não prejudicar as investigações, os endereços não foram divulgados. E a Força Tarefa do Governo do Estado apreendeu 1,8 mil lacres e tampas de Uísque de diferentes marcas nacionais e importadas no Campo Limpo, Zona Sul da capital.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, determinou a abertura de inquérito para apurar a procedência da substância e a possível rede de distribuição que transcende os limites de São Paulo.
As bebidas adulteradas com metanol podem estar sendo vendidas em todo o Brasil, para apurar, a Polícia Federal já está investigando a origem e a rede de distribuição das mesmas.
O metanol é um álcool altamente tóxico, utilizado em anticongelante, solvente, produção de plásticos, tintas, revestimentos e biodiesel mas quando ingerido pode causar cegueira, danos no cérebro e até a morte.
Profissionais de saúde recomendam que ao notar alguma diferença na bebida, não se deve fazer testes como cheirar, provar ou tentar queimar a bebida.
Recomendam também, que a pessoa busque atendimento médico imediato se sentir qualquer sintoma suspeito pós-consumo de bebida alcoólica: visão turva, dor de cabeça intensa, náusea, tontura ou rebaixamento do nível de consciência, isso pode indicar intoxicação por metanol ou por bebida adulterada.
De acordo com orientações do Ministério da Saúde enviado para todos os estados brasileiros, “o caso é considerado suspeito quando o paciente, que ingeriu bebida alcoólica, apresenta a persistência ou piora de sintomas, como embriaguez persistente, desconforto gástrico e alteração visual, entre 12 horas e 24 horas após o consumo”. Nesse período, há um antídoto específico para os casos confirmados de intoxicação por metanol que é o “etanol produzido por laboratórios ou farmácias de manipulação, em grau de pureza adequado para uso médico. A administração, intravenosa ou oral, é sempre controlada”.
Ainda de acordo com o MS, o número de casos registrados entre agosto e setembro é atípico e acende o alerta para possível adulteração de bebidas alcoólicas, uma vez que o Brasil contabilizava cerca de 20 casos de intoxicação por metanol por ano.
Como identificar e proteger-se de tomar bebida adulterada
1. Compre em pontos de vendas confiáveis
2. Observe se a embalagem está bem lacrada ou com sinais de violações
3. Observe a impressão do rótulo se está mal impresso, borrado, com erros de ortografia.
4. Desconfie de produtos muito baratos, com preços abaixo do valor de mercado.
5. Observe se a cor está diferente do habitual
6. Verifique se o cheiro está estranho.
7. Não tome drinks em locais que você não conhece.
8. Não compre e nem tome bebidas com procedência desconhecida ou sem rótulo.
Diante do risco sanitário coletivo, o Governo do Brasil divulgou orientações de combate à venda de bebidas adulteradas com metanol, com um conjunto de ações a serem adotadas por fornecedores, distribuidores, bares, restaurantes, organizadores de eventos e plataformas de comércio eletrônico para garantir a conformidade regulatória e a segurança dos consumidores.
Aquisição
1. Comprar exclusivamente de fornecedores idôneos, com CNPJ ativo;
2. Exigir e arquivar a Nota Fiscal eletrônica (NF-e) e conferir a chave de 44 dígitos no portal oficial;
3. Evitar ofertas com preço anormalmente baixo ou sem documentação fiscal;
4. Manter cadastro atualizado de fornecedores, incluindo CNPJ, endereço e contatos, para garantir rastreabilidade.
Recebimento
1. Adotar dupla checagem no recebimento: abertura das caixas na presença de duas pessoas, conferência de rótulos, lotes e notas fiscais;
2. Registrar data, quantidade, fornecedor, número e chave da NF-e;
3. Guardar recibos, comprovantes, imagens de Circuito Fechado de Televisão (CFTV) e planilhas para pronta cooperação com as autoridades.
Armazenamento
1. Identificar todos os colaboradores com acesso ao estoque;
2. Garantir condições adequadas de armazenamento e controle de acesso, para prevenir manipulações indevidas.
Sinais de adulteração
1. Observar indícios visuais como lacres tortos, rótulos com erros de ortografia, embalagens com defeitos, odor de solvente ou divergências de lote;
2. Em caso de suspeita, interromper imediatamente a venda, isolar o lote, preservar as evidências e notificar a Vigilância Sanitária, a Polícia Civil, os Procons e o Ministério da Agricultura e Pecuária.

By Riselda Morais

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