Poesias

Canarinho – Poetisa Riselda Morais

Em casa, em Vila Matilde
Um pedacinho do mundo
De um sono profundo
Por ele eu fui despertada

Despertei encantada
Mas que linda melodia
O dia ainda nascia
O sol brilhante raiava

Enquanto eu acordava
Com o cantar do canarinho
Sorria e admirava, 
levantei devagarinho

Tão lindo ele cantava
E dançava em um pé só
Virava e me olhava
Nem ligava para o jiló

É a natureza nas casas
O canário erguia as asas
Estava longe do chão
Com alegria cantava
Eu o quis pegar na mão

Porém eu não poderia
Tampouco, ele sabia
De sua triste missão
Nascido em uma gaiola
A alegrar meu coração

Lamentei por seu destino
Filho da escravidão
Desejei naquela hora
Dar-lhe a libertação
Mas livre, não viveria

A tudo desconhecia
Vivendo com alegria
Dentro de uma cidade
Cruel naquele momento
Era dar-lhe a liberdade!