Poesias

A Casa Do Pai – Poetisa Riselda Morais

    Certa vez, uma mulher que dedicava sua vida a trabalhar e cuidar da família encontrava-se em uma crise financeira muito grande.
Em seu desespero contido, não queria que a família percebesse suas dificuldades, nada podiam fazer, para que preocupar ainda mais as crianças, pensava e pensava nas contas que estavam para pagar, o aluguel é quem mais lhe preocupava, já estava em atraso, o dono do imóvel só entendia a linguagem do dinheiro e se ela não pagasse seria despejada com seus filhos sem ter a quem recorrer ou para onde ir. 
Por alguns momentos imaginou como seria sua vida se estivesse vivendo com estabilidade financeira.
_ Ah! Que bom seria se tivesse conseguido comprar a tão sonhada casa própria, pensou.
Logo percebeu que não adiantava lamentar, a verdade é que precisava fazer alguma coisa. 
– Não tenho para onde ir, preciso de uma casa.- Mas já trabalho muito, o que mais poderei fazer? Lamentou-se.
Imaginou-se morando na rua com seus filhos.
Não conseguia ver saída, estava desesperada então…
Com muita fé, fechou os olhos e pediu em voz alta:
– Meu Pai eterno, ajude-me! 
Eis que de repente, ouviu uma voz masculina e muito forte:
– O que quer de mim?
     Assustada por ouvir aquela voz, não conseguiu abrir os olhos. No entanto lembrou-se de uma história que seu pai lhe contara quando ainda era criança.
“Um ambicioso vendeu a alma por dinheiro, tornou-se rico, sozinho e avarento, era muito cruel e mesquinho com seus empregados, teve uma morte lenta e sofrida causada por doenças que lhe matava aos poucos e nem mesmo a doença e a solidão lhe fez melhor ou mais humano. Passado algum tempo à doença o venceu, no entanto, muito apegado às coisas materiais ele continuou ali. Após sua morte ninguém conseguia dormir em suas propriedades, seus criados abandonaram o local, pois não suportavam mais ouvir seus gritos de sofrimento e todos que por lá passavam a noite ouviam seus gritos, seu choro e muitos viam sua alma a vagar, assim sua fazenda passou a chamar-se Fazenda das Almas.”
Certa de que não queria ser como o avarento, ainda de olhos fechados e com muito medo a mulher respondeu:
– Que sejas bom, de luz, que tenhas paz.
Fez-se o silencio então ela abriu os olhos. 
Um grande ponto de luz estava a sua frente, não como uma estrela ou um sol, tinha a forma da lua cheia e sua luz era suave e azulada, transmitia paz e segurança e a mesma voz lhe disse:
– Tua casa é minha casa e tua alma é minha alma.
Moral da História:
– Queira para seu próximo, tudo de bom que quer a si mesmo. 
– Diante das dificuldades da vida devemos lembrar que há um ser superior que nos ilumina, ouve e protege; que para cada problema há uma solução satisfatória. 
– Não devemos passar por cima de ninguém, pois tudo que desejamos ao próximo recebemos em dobro. 
– Diante da escada de vida, dê a mão para quem está ao seu lado para chegarem ao topo juntos, jamais faça as pessoas de degraus, pisando-as, humilhando-as, ou sua chegada ao último degrau jamais poderá ser considerada uma vitória.
– Não devemos colocar as coisas materiais acima de tudo, a morte é certa para todos e quando morrermos, nada levaremos além da grandiosidade da alma.