Treinamento constante: a precisão dos policiais do GER

Grupo de elite da Polícia Civil paulista atua em casos de alto risco, envolvendo reféns, explosivos e autoridades internacionais

“Na hora você não pode errar. Só tem uma chance. Por isso treinamos muito”.

      A frase do delegado Artur José Dian resume a rotina dos policiais de uma das unidades mais importantes da Polícia Civil do Estado de São Paulo, o Grupo Especial de Reação (GER). Os agentes são altamente treinados e especializados, preparados para atuar em negociação de reféns e proteção a autoridades internacionais e até em missões de contraterrorismo.

     Criado em 1989, o GER é subordinado ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) desde 2015. “Fazemos parte da Divisão de Operações Especiais do departamento, onde estamos sempre de prontidão para agir em apoio a ações operacionais e de inteligência em conjunto com outras delegacias. Também lidamos com ações momentâneas, como confrontos com quadrilhas de alto risco”, explicou Dian, coordenador da unidade.

Desde 2015 a unidade é ligada ao Departamento Estadual de Investigações Criminais

    Junto com o Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) e o Grupo de Operações Especiais (GOE), o GER é capacitado para atuar em diversos tipos de situação em todo Estado de São Paulo e até fora dele.

     Escolta de personalidades é uma dessas atribuições. Em conjunto com PMs do 2º Batalhão de Policiamento de Choque (BPChq) e policiais federais, membros do GER fizeram a segurança do ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em visita ao Brasil. Obama veio ao país para uma palestra em outubro do ano passado e tirou fotos com os agentes.

Visita do ex-presidente americano Barack Obama (foto: Arquivo Pessoal)

    Ações antiterrorismo, especialmente em grandes eventos, são outras missões da unidade. O GER foi um dos responsáveis pela segurança em competições como a Copa do Mundo (em 2014) e as Olimpíadas (em 2016). Operações como as incursões na região da Nova Luz também contaram com apoio do seleto grupo.

Incursão na Nova Luz em maio de 2017 (foto: Arquivo Pessoal)

     Atualmente, o GER conta com cerca de 30 agentes e investigadores, coordenados por Artur Dian. Para ingressar na elite, é preciso ser policial civil há pelos menos cinco anos, ter alguma qualificação tática e, acima de tudo, ter disposição. “É preciso ser voluntário, pois não é um trabalho fácil. Estamos constantemente estudando e treinando. É preciso estar preparado para tudo”, contou o delegado.

Delegado Artur Dian: coordenador do GER com larga experiência em ações táticas

    O candidato ao GER passa por alguns testes físicos e de tiro. Se aprovado, o policial recebe um novo treinamento, com foco em ações táticas, manipulação de explosivos, defesa pessoal, técnicas de tiro com armamento pesado e tiro de precisão, o famoso sniper – inclusive embarcado em aeronaves.

 Cada policial se especializa em alguma dessas áreas, porém todos sabem agir em qualquer situação.

“Devido ao peso dos equipamentos, os policiais precisam ter condicionamento adequado. Todos possuem aptidão física para os desafios mais intensos”, afirmou o coordenador. Para estar preparado a todo momento, os integrantes carregam cerca de 20 quilos de equipamentos. O grupo utiliza coletes balísticos, capacetes táticos, pistolas, submetralhadoras e fuzis – estes, especialmente para ações que envolvam uso de atiradores de precisão.

Elcio Mello Junior durante o treinamento: precisão em tiros a distância.

O sniper e investigador Elcio Mello Junior é um dos exemplos citados pelo delegado. Mello coleciona troféus em torneios como o SWAT Round Up e SuperSwatCop, competições americanas que envolvem provas de condicionamento físico, tiro e técnicas policiais. “É um orgulho levar o nome da Polícia Civil de São Paulo para o exterior. Isso é sinal que o treinamento e o trabalho que a gente vem executando são sérios. Tudo isso nos deixa mais seguros para ir para as operações”.

Quando não estão em missões ou competições, os policiais estão se preparando. “Treinar sempre para não errar. É a filosofia do GER”, finalizou Dian.

 

Riselda Morais

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